A BMG Foods sucumbiu à crise financeira. A companhia controlada pelo Concepcíon, grupo paraguaio que pertence ao brasileiro Jair Lima, pediu recuperação judicial na Justiça do Paraná para se proteger dos credores.
Com mais de R$ 3,5 bilhões em dívidas arroladas no processo, a empresa é vítima da própria sanha expansionista. Para crescer, a BMG fez diversas aquisições e arrendamentos financiados com capital de terceiros, mas não conseguiu lidar com o custo de capital elevado.
No auge, a BMG chegou a ser um dos cinco maiores produtores de carne bovina do Brasil, mas o passo maior que a perna está cobrando um preço salgado. Nos últimos tempos, a companhia devolveu uma série de frigoríficos que estavam arrendados, conforme The AgriBiz antecipou.
A crise financeira vai além das fronteiras. Sem caixa para honrar as dívidas de curto prazo, o grupo todo está em reestruturação. O paraguaio Concepcíon, segundo maior player de carne bovina do Paraguai, parou de pagar os credores internacionais, atrasando o pagamento de uma parcela de juros aos detentores de bonds.
No Brasil, a BMG acumulou dívidas com diversos fornecedores, incluindo transportadoras que atuam na operação de carne suína que a companha possui no Paraná. Pecuaristas também ficaram sem receber pelo gado que haviam entregue aos frigoríficos da companhia.
Em abril, executivos da BMG Foods chegaram a dizer à reportagem que os atrasos seriam quitados gradualmente, mas no mês seguinte a crise se transformou em um processo formal de reestruturação.
Inicialmente, a companhia estava protegida dos credores por meio de uma cautelar que impedia a execução de dívidas. Agora, o grupo partiu para a recuperação judicial. Na RJ, é assessorado pelo escritório Guedes & Manocchio.
Individualmente, o maior credor na recuperação judicial da BMG é o Bank of New York Mellon, que representa os detendores de bonds, com R$ 1,5 bilhão.


