Após seis dias mais secos e favoráveis às atividades de campo, as tempestades retornam à região Sul devido ao desenvolvimento de um intenso ciclone extratropical. As fortes rajadas de ventos e eventuais quedas de granizo começam a partir da manhã desta quinta-feira (6).
Elas devem começar pelo oeste do Rio Grande do Sul e espalhar pelos três estados da região, além do sul dos estados de Mato Grosso do Sul e de São Paulo até sábado.
Além do ciclone extratropical, há previsão de chuva forte e persistente no Paraná e em Santa Catarina ao longo da próxima semana, entre 9 e 15 de agosto.
Na soma dos dois eventos, o acumulado de chuva pode ultrapassar 150 milímetros em municípios do Paraná. Mais de 95% das áreas de trigo instaladas no estado estavam em boas condições de desenvolvimento até o dia 3 de agosto, mas o excesso de chuva é uma apreensão recorrente.
A situação é semelhante no Rio Grande do Sul. De acordo com boletim da Emater-RS de 31 de julho, culturas como o trigo e canola estavam em boa fase de desenvolvimento, mas havia uma preocupação com as precipitações frequentes que causam erosão, encharcamento, perda de nutrientes, dificultam tratos culturais e aumentam o risco de doenças fúngicas.
Enquanto a chuva não para entre o Paraná e Santa Catarina, o frio toma conta do Rio Grande do Sul no início da semana que vem, com potencial para geadas na Campanha e na Serra Gaúcha. O frio não compromete o desenvolvimento das culturas, mas serve para mostrar como o contraste térmico será grande no Brasil.
No mesmo dia que municípios registrarem temperaturas mínimas próximas de 0°C no Sul, as máximas irão oscilar em torno dos 40°C em Goiás, Mato Grosso, Tocantins.
O clima em agosto
Normalmente, agosto é o mês mais seco do ano no Brasil. Mas, sob influência do El Niño, nada é normal.
As simulações indicam anomalias 100mm acima do normal para o mês em boa parte da região Sul e 30mm acima do normal para o mês em São Paulo, sul de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, oeste de Mato Grosso e Rondônia.
Chover forte em uma época que deveria ser seca traz problemas para a agricultura. No Centro-Oeste, por exemplo, ainda está acontecendo a colheita do algodão e a chuva pode piorar a qualidade da pluma. No Sudeste, a chuva atrasa a colheita da cana de açúcar e do café.
El Niño alcança forte intensidade
Em atualização no início desta semana, a NOAA indicou que a anomalia de temperatura do oceano Pacífico equatorial central alcançou +1,5°C, fazendo com que o fenômeno El Niño mudasse de moderado para uma forte intensidade.
A alta velocidade com que o Pacífico vem aquecendo surpreende, pois saímos de um fenômeno La Niña (resfriamento) em meados de março, a transição (neutralidade) durou aproximadamente 75 dias e, desde o fim de junho até agora, o aquecimento aumentou de 1°C. No El Niño de 2015, por exemplo, o aumento da temperatura foi bem mais lento, chegando a 0,5°C em seis meses (de janeiro a junho).
Além disso, o que chama a atenção nas simulações europeias é que a previsão de anomalia de precipitação passa dos 500mm entre outubro e dezembro no oeste do Paraná e de Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul e a climatologia é de 600mm.
Ou seja, teremos muitos municípios dos três estados com mais de 1000mm de precipitação na primavera, complicando o desenvolvimento do milho, plantio da soja e colheita do trigo. Além disso, entre os Estados do Pará e do Amazonas, poderá chover apenas 100mm dos 500mm normais para o último trimestre de 2026.
Neste caso, as atenções voltam-se à logística no porto de Miritituba, onde os navios não poderão ter carga máxima pois podem encalhar no Tapajós pelo baixo nível do rio.


