Washington Paixão Dias, da pasta de Serviços Públicos, deveria ter sido afastado por 30 dias, mas permanece despachando normalmente. O prefeito Dorlei Fontão (PSB) teria mandado suspender a punição. Ele nega.
Apesar da decisão da Comissão de Processo Administrativo Disciplinar da Prefeitura de Presidente Kennedy (ES), que determinou o afastamento do secretário de Serviços Públicos, Washington Paixão Dias, por 30 dias, ele continua despachando normalmente no cargo, em aparente descumprimento da determinação. O secretário foi punido após ser acusado de agredir fisicamente a servidora pública municipal Gleide Rodrigues, mas o prefeito Dorlei Fontão (PSB) teria ordenado pessoalmente a suspensão da sanção, num movimento que agora é alvo de investigação do Ministério Público sob suspeita de prevaricação.
Fontão, que já responde a um processo por tentativa de um terceiro mandato consecutivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria comandado a interrupção da punição, contrariando a decisão do colegiado que conduziu o PAD. A conduta do prefeito, de retardar ou deixar de praticar ato de ofício para atender a interesse pessoal, é justamente o que caracteriza o crime de prevaricação, agora apurado pelo MPES.
O cenário político em Presidente Kennedy, município de 13.696 habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE, já era conturbado. Fontão venceu as eleições municipais de 2024 com 55,40% dos votos, mas sua diplomação foi anulada pela Justiça Eleitoral sob o argumento de que ele tenta um terceiro mandato consecutivo, o que é vedado pela Constituição. O prefeito já havia assumido a Prefeitura em 2019 como vice, após o afastamento da então prefeita Amanda Quinta Rangel, e foi reeleito em 2020. Agora, aguarda uma decisão do TSE que pode cassar seu mandato e convocar novas eleições.
O secretário Washington Paixão Dias, que acumula suspeitas, tem um histórico que agrava o caso. Ele foi detido pela Polícia Rodoviária Federal portando uma arma e R$ 172.500 em dinheiro vivo, além de ser suspeito de atuar como sócio oculto de uma construtora com contratos milionários na Prefeitura. Mais recentemente, reportagens locais apontaram que secretários da gestão, incluindo o de Serviços Públicos, adquiriram imóveis de luxo incompatíveis com seus salários.
Em sua defesa, Washington Paixão Dias nega as acusações de agressão. Ele alega que quem se desentendeu com a servidora Gleide Rodrigues foi sua esposa, Claudineia Avanci Machado, e que o pivô da briga foi o fornecimento de marmitas para empresas terceirizadas da Prefeitura. De acordo com o secretário, ele próprio determinou a suspensão do negócio de sua esposa após assumir a pasta. Para reforçar sua versão, ele disponibilizou áudios e mensagens de texto trocados entre Gleide e sua mulher.
O secretário também negou ingerência do prefeito no PAD, afirmando que Dorlei Fontão “é muito transparente, muito honesto” e que “está neutro nessa situação, entendeu? O que ele falou é que a Justiça decide”.
O Ministério Público ainda não divulgou detalhes sobre o andamento da investigação, mas a situação expõe mais um capítulo da atribulada gestão de Presidente Kennedy, cidade que já enfrentou intervenção judicial em 2012 após a prisão do então prefeito Reginaldo Quinta, por suspeita de fraudes em licitações e desvio de R$ 50 milhões dos cofres públicos.


