A oferta de títulos de dívida ligados ao agronegócio, como CRAs e debêntures incentivadas, deve ficar menor neste ano. Essa é a avaliação de Pedro Freiras, sócio da XP e responsável pela área de agro no banco de investimentos da plataforma fundada por Guilherme Benchimol.
Segundo Freitas, o aumento da curva de juros e a antecipação de emissões no ano passado — uma reação às discussões para a taxação dos títulos isentos — ajudaram a minguar as emissões em 2026. Além disso, as eleições presidenciais também mexem com o apetite do investidor.
As crises enfrentadas por diversos players do agronegócio — o que inclui a recuperação extrajudicial da Raízen, uma das maiores emissoras de CRAs — também influenciam o cenário.
“Do lado da demanda, alguns investidores ficaram assustados por conta de alguns problemas que aconteceram no agro”, afirmou Freitas, em entrevista durante a Expert, evento para investidores realizado pela XP.
Além disso, os investidores estão optando por créditos de perfil de vencimento mais curto, segundo ele.
Os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) dão razão a Freitas. De janeiro a maio, as emissões de CRAs somaram apenas R$ 5,3 bilhões, uma redução de 56% na comparação com os R$ 12,3 bilhões captados no mesmo intervalo do ano passado.
Fiagros triplicam
Apesar do encolhimento, isso não significa que o ambiente esteja totalmente fechado para o crescimento do agro no mercado de capitais.
Recentemente, por exemplo, a XP foi a coordenadora-líder de uma oferta pública de CRAs do grupo sucroalcoleiro CMAA, que levantou cerca de R$ 400 milhões pouco tempo depois de ter emplacado uma oferta de R$ 200 milhões em debêntures incentivadas.
O momento também abriu espaço para Fiagros com cotas subordinadas, desenhados para atender aos receios do investidor.
Gestoras como a JiveMauá, Vinci Compass e Valora emplacaram ofertas de fundos de crédito, com uma estrutura de cota sênior e subordinada, que traz um colchão adicional de segurança ao investidor.
“Eles oferecem menos rentabilidade na cota sênior, mas também um risco menor, além de mais alinhamento dos gestores através da cota subordinada. Acho que o produto ficou mais redondo também”, disse Freitas.
A proteção ao investidor ajudou na captação. De janeiro a maio, foram R$ 5,7 bilhões em emissões de Fiagros, mais do que triplicando na comparação com o ano passado, segundo dados da Anbima.
Além da distribuição de fundos de crédito com cota subordinada, a XP estuda avançar na oferta de fundos de terras. Freitas é um entusiasta da tese, principalmente tendo em vista a valorização do ativo imobiliário ao longo do tempo. O desafio é o bolso (e o hábito) do brasileiro.
“Qual é o problema dessa tese? O yield. É uma tese segura, mas de longo prazo, em que o pinga-pinga mensal não existe ou é muito pequeno. O investidor brasileiro é muito ligado à renda, gosta de ver o pinga-pinga mensal”, ressaltou Freitas.


