O horário eleitoral gratuito das Eleições 2026 começa nesta sexta-feira, 28 de agosto, no rádio e na televisão. A propaganda será veiculada de segunda-feira a sábado até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A entrada da propaganda eleitoral em rede inaugura uma nova etapa da campanha e evidencia uma diferença importante entre os candidatos: o tamanho das coligações e das bancadas partidárias terá impacto direto sobre o espaço disponível para apresentação de propostas ao eleitorado.
Pelas regras eleitorais, 10% do tempo disponível são divididos igualmente entre partidos e federações que têm direito à propaganda. Os outros 90% são distribuídos proporcionalmente de acordo com a representação das legendas na Câmara dos Deputados.
Na disputa pela Presidência, a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá o maior espaço, com 5 minutos e 31 segundos. Flávio Bolsonaro (PL) aparece em seguida, com 4 minutos e 20 segundos. Ronaldo Caiado (PSD) terá 2 minutos e 2 segundos, enquanto Augusto Cury (Avante) contará com cerca de 35 segundos.
Além dos programas, a distribuição nacional também contempla inserções ao longo da programação. A coligação de Lula terá 433 inserções, contra 339 destinadas ao PL, 159 ao PSD e 47 ao Avante.
A diferença de exposição é ainda maior para candidatos que não conseguiram acesso à propaganda gratuita. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão espaço no horário eleitoral em rede nacional. Com isso, as duas campanhas ficam mais dependentes de debates, entrevistas, atos públicos e estratégias digitais para alcançar o eleitorado.
No primeiro dia da propaganda presidencial, o Avante será o primeiro a aparecer, seguido pelo PSD, PL e pela coligação de Lula. A ordem será alterada nos programas seguintes por meio de rodízio.
Tarcísio terá mais que o dobro do tempo de Haddad em São Paulo
A diferença de exposição também será significativa na corrida pelo Governo de São Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) terá 6 minutos e 20 segundos, enquanto Fernando Haddad (PT) contará com 2 minutos e 39 segundos.
Os dois concentram todo o tempo destinado aos candidatos ao Palácio dos Bandeirantes que têm direito à propaganda em bloco. PCB, PCO, Agir, PSTU e UP também registraram candidaturas ao governo paulista, mas não terão espaço na propaganda gratuita por não atenderem aos critérios da cláusula de desempenho.
No primeiro programa estadual, Tarcísio será o primeiro candidato ao governo a aparecer, seguido por Haddad. Nos programas seguintes, a posição será modificada pelo sistema de rodízio.
A vantagem de tempo chega em um momento no qual Tarcísio também lidera as pesquisas eleitorais. Levantamento Quaest divulgado nesta terça-feira (25) aponta o governador com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 27% de Haddad. A pesquisa ouviu presencialmente 1.800 eleitores paulistas entre 21 e 24 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Propaganda terá blocos e inserções durante o dia
A programação eleitoral terá 50 minutos diários em rede, divididos em dois blocos de 25 minutos no rádio e na televisão. Outros 70 minutos serão reservados diariamente para inserções de 30 e 60 segundos, distribuídas entre 5h e meia-noite.
Os cargos serão apresentados em dias diferentes. Às terças, quintas e sábados, os blocos serão destinados às campanhas para presidente da República e deputado federal. Às segundas, quartas e sextas-feiras, será a vez das candidaturas ao Senado, à Câmara dos Deputados estadual e aos governos estaduais.
No rádio, os blocos são exibidos das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25. Na televisão, a propaganda vai ao ar das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55.
TV entra na disputa após primeiro debate presidencial
A estreia do horário eleitoral ocorre cinco dias depois do primeiro debate entre presidenciáveis da campanha, realizado pela Band no domingo (23).
Dos seis candidatos convidados, apenas Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado participaram. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram.
Para candidatos sem propaganda gratuita ou com poucos segundos disponíveis, debates, entrevistas e redes sociais ganham peso ainda maior. A campanha digital não obedece à mesma divisão de tempo baseada na representação partidária, permitindo que candidatos com estruturas partidárias menores tentem compensar a desvantagem na televisão por meio de vídeos, transmissões ao vivo e conteúdos de rápida circulação.
A diferença, porém, está no alcance. Enquanto as redes dependem dos algoritmos e das estratégias de cada campanha, o horário eleitoral coloca as candidaturas simultaneamente na programação das emissoras abertas de rádio e televisão.
Caso haja segundo turno, marcado para 25 de outubro, a lógica muda. O horário eleitoral será retomado em 9 de outubro e seguirá até o dia 23, com divisão igualitária do tempo entre os candidatos que permanecerem na disputa.




