Depois de desbravar o campo com o investimento em terras agrícolas, a gestora 051 Capital viu na crise de endividamento que atinge os produtores de grãos uma oportunidade para oferecer crédito e ajudar a reestruturar o passivo.
A ideia é que, com dinheiro novo, produtores de médio porte ganhem tempo para arrumar a casa, explicou Flávio Aragão, sócio da gestora fundada por Luciano Brochmann, em entrevista ao The AgriBiz.
Com tíquetes que vão de R$ 20 milhões a R$ 40 milhões, a 051 Capital oferece dois anos de carência do principal, e quatro anos para quitar a dívida.
Desde o ano passado, a gestora já concedeu cerca de R$ 250 milhões, majoritariamente a produtores do Matopiba — acrônimo para a região agrícola que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Atualmente, a firma está em negociações avançadas para fechar uma operação de R$ 300 milhões com um grande produtor da região. O cheque é atípico e distante do alvo da gestora, mas se justifica pela oportunidade.
“Toda semana chega um deal novo. É mais coisa do que conseguimos olhar e eu não tenho a obrigação de alocar”, disse Aragão, que levanta os recursos com as famílias que historicamente administram as fortunas com a 051.
Engana-se quem pensa que a 051 Capital está jogando dinheiro para o alto. Para conseguir os recursos, os produtores precisam se enquadrar em diversas características, o que inclui o potencial de geração de caixa das fazendas e uma análise do comportamento do cliente.
“Não inventa moda de comprar trator”, resumiu Aragão.
Na tomada dos recursos, o produtor precisa se comprometer com a quitação das dívidas mais caras, o que curiosamente nem sempre é a intenção dos potenciais clientes que buscam a 051 Capital. Sem esse comprometimento, nada feito. “Se deixar solto, vai se enrolar”, disse Aragão.
Além disso, o dinheiro da 051 Capital sai a um custo significativo. Para oferecer crédito com dois anos de carência, a gestora cobra CDI + 8% ao ano. Em geral, as operações são estruturadas por meio da emissão de CRAs lastreados por CPR.
A gestora exige as terras em garantia. Segundo Aragão, as operações só saem se o crédito representar, no máximo, 40% do valor da fazenda dada em alienação fiduciária. “Não quero ser o cara que vai tomar a terra. Então, só vou fazer operações se estiver muito confortável”, disse Aragão.
Ao avaliar as terras, a 051 Capital se vale da experiência adquirida dos tempos em que comprava áreas com a tese de valorização no longo prazo. Essa área da gestora foi separada em uma asset independente — a mineira Tane Capital —, mas o aprendizado ajudou na estruturação da área de crédito.

