A recuperação das margens da National Beef e a redução do ritmo de investimentos vão beneficiar o desempenho da MBRF em 2027, trazendo um resultado melhor que o inicialmente esperado.
Essa é a leitura da analista Isabella Simonato, do BofA (Bank of America), que refez as projeções de curto prazo para os resultados da companhia de Marcos Molina e passou a recomendar a compra dos papéis (MBRF3). Até então, a analista mantinha recomendação neutra.
Em um relatório distribuído a clientes na quarta-feira, o BofA também revisou para cima o preço-alvo das ações, de R$ 23 para R$ 26, o que embute um potencial de valorização de 50%. Nesta quinta-feira, as ações da MBRF reagiram positivamente, com alta de 5,5%.
Segundo a analista, o cenário mais benigno vai se traduzir em mais geração de caixa, contribuindo para a desalavancagem da companhia.
Antes da revisão, a analista do banco de investimentos americano estimava que a MBRF geraria R$ 390 milhões em caixa livre no ano que vem, uma cifra que pulou para R$ 1,9 bilhão.
Caso isso realmente se comprove, a expectativa é que o índice de alavancagem diminua de 0,5 a 0,6 vez anualmente, chegando abaixo de três vezes Ebitda em 2029. Em junho, o indicador estava em 3,41 vezes.
O otimismo da analista do BofA reflete, em grande parte, uma reversão do cenário negativo para os frigoríficos nos Estados Unidos.
O BofA acredita que a operação americana chegou ao seu ponto mais baixo em 2026, com uma recuperação acontecendo em 2027 apoiada na oferta de gado mexicano e no fechamento de frigoríficos de concorrentes.
“A MBRF está posicionada para se beneficiar diretamente do fechamento do frigorífico da Tyson Foods, em Illinois, que está a apenas 140 milhas da planta de Iowa da companhia”, escreveu a analista.
Com os fechamentos, a utilização de capacidade da indústria frigorífica americana deve chegar a 85%, uma alta de 600 pontos-base. Esse patamar seria comparável à média dos últimos cinco a seis anos, segundo o BofA.
Com tudo isso na conta, a expectativa é que a margem Ebitda da operação norte-americana da MBRF fique em 1,7% em 2027, ante 0,6% em 2026. Em 2028, a expectativa é ainda maior, chegando a 2,8% de margem.
Além de uma melhora na situação norte-americana, os analistas também lembram que a MBRF está projetando um ciclo de investimentos menor do que o dos últimos cinco — o que contribui para impulsionar a geração de caixa em curto prazo.
Nas estimativas fornecidas pela empresa, o foco é passar de um gasto de R$ 5 bilhões para R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões em 2027. O BofA trabalha com um número um pouco maior do que isso, chegando a R$ 4,5 bilhões para o próximo ano.

