A Suno queria dobrar o seu fundo de terras de tamanho — ainda não deu. A oferta mais recente de cotas do SNFZ11 captou R$ 53,1 milhões, com a maior parte dos recursos vindo da garantia firme de um investidor institucional. O varejo colocou R$ 800 mil.
“A gente não está triste não, a gente está satisfeito. Captar dinheiro para o agro é algo raro e aumentamos o fundo em 40%. O SNAG aumentou em 50%. Tudo nesse ano, enquanto outros veículos não conseguem sair”, disse Vitor Duarte, chefe de investimentos da Suno, ao The AgriBiz. “É um momento e se manter vivo e em pé para quando o momento melhorar.”
As cotas saíram a R$ 10,20 (pouco acima da cota patrimonial do fundo), com um prêmio em relação ao valor de tela dos papéis, negociados na época do anúncio perto de R$ 9,80, contribuindo para reduzir o interesse do varejo em entrar na oferta.
Para piorar, um movimento técnico trouxe um desconto ainda maior para as cotas desde o final de junho, trazendo a negociação dos papéis perto dos R$ 9. Trata-se da cisão de 73% patrimônio líquido do fundo RELG11, de logística, para RLGX11, e depois distribuindo os ativos aos investidores.
O fundo tinha R$ 40 milhões em papéis do SNFZ. Com a cisão, a maior parte desses papéis foi distribuída na forma de amortização aos cotistas, junto com outros papéis de fundos imobiliários que compunham a carteira do fundo.
Nesse “pacote”, eles receberam o equivalente a R$ 88 para um fundo negociado a R$ 66 — o que motivou uma enxurrada de realizações no mercado, impactando a cotação do SNFZ11.
Para referência, os investidores do antigo fundo de logística receberam o equivalente a R$ 30 milhões do SNFZ11. Para um fundo de R$ 120 milhões até então (passando a mais de R$ 170 milhões agora) e com pouca liquidez, a desova de papéis no mercado fez diferença.
Mesmo no meio dessa cota mais depreciada diante do mercado, fato é que o fundo conseguiu aumentar o patrimônio líquido em 40%.
Compra de terras
Os recursos, como a gestora já havia adiantado, devem financiar a aquisição de três fazendas em Mato Grosso: duas em Nova Lacerda e uma no município de Chapada dos Guimarães, adicionando 2,2 mil hectares agricultáveis ao portfólio.
A partir da transação, o fundo fica com 3,8 mil hectares, totalizando seis propriedades. O SNFZ11 já tinha, para referência, duas fazendas em Paranatinga e uma em Gaúcha do Norte, também no Mato Grosso.
“A gente tem o dinheiro para três, quatro anos de parcelas. E daí teremos mais prazo para captar novos recursos. Não é uma alavancagem irresponsável”, completa Duarte.
Os arrendamentos nos primeiros anos ganham uma projeção interessante, avalia. Num exemplo, se uma fazenda custa R$ 100 milhões e será paga em 10 parcelas iguais, o arrendamento equivale de 3% a 4% do valor total da fazenda.
“Ou seja, no primeiro ano, em que eu paguei R$ 10 milhões, isso é 30% a 40% de rentabilidade. Combinado com a posição em renda fixa, existe um rendimento interessante no curto prazo”, avalia Duarte.



